vou tentar que me surjam letras na escuridão para que esses sorrisos luminosos me possam explicar que comemoram algo que não chega para me rodearem as sombras...
algo que desconheço...
algo que não chega a mim...
ou talvez justifiquem os meus cada vez menos estranhos cemitérios...
parecem-me ansiosos, porque aguardam o que eu sei que virá a seguir...
só eu sei deslumbrar os voláteis vegetais...
só eu sei esconder o corpo...
há um aniversário qualquer que se calhar só eu não me lembro...
nas constelações só eu me sei disfarçar, passar despercebido, mas esqueci-me por completo que pelo lodo, os riscos que tento ocultar que depois de feitos já não se ocultam...
demasiados riscos...
demasiado tarde onde a memória se esconde...
talvez o coração, é uma última vez...
e talvez, possamos ser uma única cor de todos os arco-íris e só eu conseguir existir em tão estranhos paraísos...
se eu pudesse pegar fogo à chuva em todas as tentativas sucessivas de quem está à porta sempre à espera de chamas...
hoje a minha noite é de outro...
é tão confuso este peso dos ombros...
se não tiveres essa vontade de me deixar dormir,
prendes-me à tortura dos olhos abertos...
mas só eu, mais uma vez,
não sabia que os dias eram assim... demorados e longos demais...
hoje a tua noite é de outro...
por vezes, quando te olho nascem-me cadáveres no sangue...
e quase sempre, nunca canto parabéns... quase nunca me apetece sorrir...
talvez, também hoje se te lembrares, possas festejar o lugar onde me enterras ou algo que hoje possa acontecer-me a mim...
até hoje, de todas as mulheres que me souberam a vida, que me souberam a flores...
só tu me sabes a morte,
só tu me sabes a sangue!...
até hoje, de todas as mulheres que me souberam a vida, que me souberam a flores...
só tu me sabes a morte,
só tu me sabes a sangue!...
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