hoje voltarei ao hábito álcool dos horizontes...
acordar a decadência em forma de corpos e montes.
retornar...
retroceder à pureza dos excessos e à minha origem...
regressar ao objecto que deveria estar no seu lugar...
voltar ao receio e à ternura,
entre tantos amo-te em ruínas...
que estranho monstro me sou nas bússolas cinzentas e dourados compassos sobre montanhas e mundos...
e medos...
e medos...
e pronunciar-te a minúcia... cada teu pormenor em forma de gomo, em gesto de lua...
hoje,
regressarei ao hábito álcool dos horizontes...
os corações explodem pedaços...
muitos...
aos montes...
restam-me apenas as cedências dos cordeis que os prendem aos pântanos e aos nenúfares dos fáceis sonhos aquáticos...
amo-te debaixo das águas azuis de todas as superfícies difíceis...
sem fôlego,
porque dos pulmões já não nascem brisas, nunca imaginaste os ventos e a dimensão demorada de me permanecer ainda vivo...
se eu me deitasse aqui, entenderias a perfeição do chão por onde me encontro ou a indiferença do mesmo sonho?...
amo-te das túlipas às águas plúmbeas de um coração de coral...
ainda saberás que eu respiro?...
ainda te lembras que sou real??...
não me dês absolutamente mais nada,
senão a parte de ti que desconheço...
ainda saberás que eu respiro?...
ainda te lembras que sou real??...
não me dês absolutamente mais nada,
senão a parte de ti que desconheço...

