sobre as águas dos olhos abertos,
serás a única quem de bem te vou guardar...
suave azul mais belo fora de todos os meus escombros barcos
e a luz extraordinária das minhas sombras...
fora do meu amor inconcebível,
tão dentro dele imaginário...
agora,
vou ser eu as águas...
estripar o sonho de quase te raptar
e guardar-te numa nuvem...
é seres página do meu livro doente
que nos esquece naquele lugar de margens num oceano heróico
do sangue onde cada seiva é doce e cada
lágrima não pode ter nome...
incomensurável és em mim...
riscando trémula a quente derme à espera,
e o deserto da brancura por entre cada relâmpago
e o descanso...
e o silêncio...
se recuperares a confiança em mim,
entenderás os resíduos do que não fui...
é de pedra a latitude,
de mármore a sua longitude...
queria eu próprio descobrir o meu esconderijo...
só pode haver uma mulher chuva,
essa dos vendavais, essa dos trovões,
avalanches, essa das tempestades...
e de algodão doce como se pintam as nuvens dentro de nós...
choro-me... choro-te...
eu não sabia que os olhos tinham tanto lugar...
mas também,
sempre soube que as lágrimas não tinham qualquer espécie de som...
entre o mel e o pólen das bocas todas,
o açucar dos extremos escuros,
tão cheios do mesmo medo que a luz possa entrar...
se isso bastasse para apagar os minutos...
os segundos...
as noites...
os dias...
se isso bastasse para apagar o que penso,
o que sinto...
se isso bastasse para pintar,
escrever a brincar um sorriso...
se isso bastasse para te dizer...
amo-te...
se talvez isso bastasse...
para eu também ter um pedaço,
um bocado de sonho que me pudesse bastar...
vou-me lançar nas multidões, nesse tráfego onde talvez
me possa acontecer um qualquer acidente...
és o que és em mim...
queria ter prados mais extensos por onde te pudesse perder olhares...
imagem por imagem...
sei que pertenço a rituais de luas escuras,
e tu fetal, a litúrgias de luzes radiantes...
paisagem por paisagem...
a distância por aumentar,
a mesma ausência por ser maior...
o silêncio...
esse espelho protector da pele e mel,
é o quanto te conto de todas as cores...
não vou voltar à margem quando a boca pode ser cada pétala
e os beijos rios de tantas sombrias flores...





