quinta-feira, 28 de junho de 2012

sobre as águas dos olhos abertos,
serás a única quem de bem te vou guardar...
suave azul mais belo fora de todos os meus escombros barcos
e a luz extraordinária das minhas sombras...
fora do meu amor inconcebível,
tão dentro dele imaginário...
agora,
vou ser eu as águas...
estripar o sonho de quase te raptar
e guardar-te numa nuvem...
é seres página do meu livro doente
que nos esquece naquele lugar de margens num oceano heróico
do sangue onde cada seiva é doce e cada
lágrima não pode ter nome...
incomensurável és em mim...
riscando trémula a quente derme à espera,
e o deserto da brancura por entre cada relâmpago
e o descanso...
e o silêncio...
se recuperares a confiança em mim,
entenderás os resíduos do que não fui...
é de pedra a latitude,
de mármore a sua longitude...
queria eu próprio descobrir o meu esconderijo...
só pode haver uma mulher chuva,
essa dos vendavais, essa dos trovões,
avalanches, essa das tempestades...
e de algodão doce como se pintam as nuvens dentro de nós...
choro-me... choro-te...
eu não sabia que os olhos tinham tanto lugar...
mas também,
sempre soube que as lágrimas não tinham qualquer espécie de som...
entre o mel e o pólen das bocas todas,
o açucar dos extremos escuros,
tão cheios do mesmo medo que a luz possa entrar...
se isso bastasse para apagar os minutos...
os segundos...
as noites...
os dias...
se isso bastasse para apagar o que penso,
o que sinto...
se isso bastasse para pintar,
escrever a brincar um sorriso...
se isso bastasse para te dizer...
amo-te...
se talvez isso bastasse...
para eu também ter um pedaço,
um bocado de sonho que me pudesse bastar...
vou-me lançar nas multidões, nesse tráfego onde talvez
me possa acontecer um qualquer acidente...
és o que és em mim...
queria ter prados mais extensos por onde te pudesse perder olhares...
imagem por imagem...
sei que pertenço a rituais de luas escuras,
e tu fetal, a litúrgias de luzes radiantes...
paisagem por paisagem...
a distância por aumentar,
a mesma ausência por ser maior...
o silêncio...
esse espelho protector da pele e mel,
é o quanto te conto de todas as cores...
não vou voltar à margem quando a boca pode ser cada pétala
e os beijos rios de tantas sombrias flores...



quinta-feira, 21 de junho de 2012


eis,
extraordináriamente,
o absurdo mais belo
que tu queres substituir!...
por mim!!..

quarta-feira, 20 de junho de 2012


doem-me tanto os meus olhos de letras,
onde as palavras te foram boca,
te foram gesto...
doem-me tanto os meus olhos de placentas,
onde te serão filho,
onde as palavras te serão feto...

terça-feira, 12 de junho de 2012

tão pouco tempo têem estes seres à luz do cais...
denunciam-se tanto no paredão dos olhos verdes...
não sabem nada de mim,
mas parece que me conhecem as ondas...
estranho farol do ópio
sobre o diálogo das marés e a superfície do mesmo fundo.
são prateados reflexos e tão pouco no mundo...
trouxeram-me a sabedoria de quem és...
acabo sempre em ti,
esta raiva aquática de terminar qualquer palavra,
qualquer líquido assunto,
acabo sempre de me explicar em ti...
ela era tímida no sentar de únicas expressões...
ele,
altivo tomou conta dos mesmos corações...
percorres-me com o teu tempo todo,
com águas curiosas de ti,
mas,
como sempre não vês...
não dás por mim...
não te revês...
também no último luar fúnebre,
não dás por ti...
só te interessa a melodia de todas as cores...
e tu,
vestida de negro, despistes as unhas azuis...
e só amas a certeza de quem te espera...
de quem possuis...
eles eram tudo!...
eu redondo nada...
- és a carência toda!
pensavas tu, TONTA!!
e tu, toda sombra calçaste a cor de tanta madrugada...
escutei cada arrastar desse teu andar para longe de mim.
demoraste-te sábiamente...
só tu sabias que apenas eu te podia escutar...
és-me tanto, do tanto te amar...
só tu não sabes, não queres entender...
que quando te entrego, não desisto...
rendo-me ao perfume de um banho mais cedo,
e de quem te aguarda não sabe o imenso que pode ainda acontecer...
" don't you wanna see me?
yeah, i wanna go out and have something nice to eat
i wanna eat you up
i don't care where
as long as there's no one else around
yes, i'd like to touch you
and i guess you want to love me, too
my baby, that's all right
as long as there's no one else around"




sexta-feira, 8 de junho de 2012


photo by: joão nuno cruz

por vezes,
partiria para o abandono do coração,
onde pudessem germinar todos os cristais de um apenas azul...
masturbo-te,
à procura da tua lua artificial
que muda entre cada escuridão,
entre cada suspensão do mundo...
que muda entre
 cada contemplar de uma nocturna solidão...
a noite ergue-se como um pano oculto
que espalhas pelo chão...
faz chover obsessivamente o lilás,
a lágrima
e a água repetida da boca onde não sei o longe
e me falha o suicídio das tempestades...
deito-me nas cinzas invisíveis por engano,
e enquanto sonho,
percorre-me a fabulosa paisagem do teu corpo,
a abelha e o mel...
a imagem que sempre serás
num dilúvio de sangue...
e mesmo à beira da superfície dos vulcões,
o teu sorriso explode uma espécie de frescura,
entre lavas e algodões...
e depois,
quando me deito púrpuro,
encharcas-me o alumínio dos dias sucessivos...
sem memórias de nomes artificiais...
sangra-me o terror lentamente das palavras todas
que só eu te quero visitar...
já não sei dizer cintilantes: penso-te!...
já não sei falar delicados: amo-te!!...
mas ainda sei a seda...
ainda sei a flor...
ainda sei a pétala... o pólen...
o último jardim...
amar?
amar já não sei...
mas ainda sei chorar...

domingo, 3 de junho de 2012

army of darkness altar - photo by: sam reimi 

pouso o beijo lentamente
antes que entendas o que eu quero dizer...
só nunca te disse que a boca já tinha levantado voo,
numa asa veloz...
e se essa profunda escuridão pudesse dizer o meu nome
talvez me pudesse libertar
e dar-me oceanos onde eu próprio conseguisse dormir...
nunca quis magoar as águas...
mas sempre me confundiu a possessão dos incêndios...
sobre mim,
o cinzento asfalto de ti
e esse inteiro exorcismo...
mas só eu quero ter um último dia de sono,
da última noite que resta...
e em mim,
rodearem todos os mais sinceros demónios...

sábado, 2 de junho de 2012




photo by: bruno sequeira

viajei ao interior da tua luz
desde o fascínio à minúscula paciência de um luar...
só tu brincas o meu sangue...
a pele...
e a penumbra das manhãs tardias...
diluis-me as cortinas debaixo de um corpo lento,
cúmplice de um único silêncio...
demorei-me sem palavras
sobre todas as violetas do teu corpo,
sob as pálpebras inteiras da tua pele...
expandi dentro de ti
o dilúvio das sombras e só tu soubeste navegar as letras onde só eu consegui sepultar a melancolia e um tímido mineral do mar...
sei, sem saberes, que todos os homens imortais e todos os deuses mortais só te conseguem descrever da forma mais errada...
só eu, na tua brandura mais funda te conheço...
na solidão salgada ao chover-me no teu corpo...
devoras-me no delírio...
gota a gota de tanta perfeição...
uma água submersa, uma ausência,
uma lâmina exausta de silêncio...
meu amor... uma brancura...
o teu corpo que me fala,
não tem lados, vibra e seduz a escuridão...
o teu cheiro substitui um qualquer jardim perfumado e as minhas noites em flor...
e então, bem fundo em ti,
talvez me possam tremer agora,
soberbos casulos de solidão...
por onde o mundo desliza...



death is not the end! photo by: bruno sequeira