domingo, 29 de julho de 2012


quando te deito em camas macias,
procuro-te em passeios mais escuros...
permanecer sem nenhum regresso é sempre mais fácil do que dizer o que me faço...
a duração de uma desculpa devagar,
plausível mas inexistente,
pode ser a catástrofe de uma ferida terrível ao som dos meus amigos...
nada me ocorre por esta falta de tempo...
parto de regresso sem me chegar a lado nenhum...
vibram veias e penumbras cruéis, feitas de claridades excessivas e desencontros à deriva com sabores demorados de sono e a alegria com que brincas devagar o meu novo sangue sem me explicares o porquê de tantas coisas...
agora,
só eu sei entender os espaços, e sobre a pele,
 arrumar essas gavetas...
inventaria mesmo assim,
o queimar as roupas de toda a pele que me despi...
só não sei porque me ardem os dias... só não sei percorrer-lhes as cinzas...
só não sei o que faço aqui...
tenho vivido o tempo fatal da luz, mas há um ser lento pouco maior que este sítio mas que deslocado, me parece infinito...
aproveito a cicatriz e já que a fiz, recolho-lhe a sombra...
a pouco e pouco,
a escuridão explica-me o que eu não consigo...
esqueci todos os perigos à tona das águas de tanto ter possivelmente amado submerso...
e por agora, durante todo este tempo que me resta,
em delírios desérticos,
talvez nunca mais consiga olhar-te...
amar-te é um horário que nunca lhe percebi o tempo...
extinguir-lhe a cor dos olhos estranhos,
fazer tudo,
tudo mesmo!...
fora de todas as horas diferentes para que agora, nem tu me percebas, nem tu me queiras e o longe já não seja um espelho transparente...
agora...
é apenas as águas límpidas das pétalas,
e as saudades como nervuras de cor verde,
e o orvalho a brevidade sempre mais perto... onde o ver é simplesmente o deitar a ternura das folhas meigas...


e sobre duas asas,
amo-te tanto!!... por falar de coisas breves...

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