segunda-feira, 2 de julho de 2012

preciso falar contigo...

ficarei sempre bem...
eu e as noites menos escuras...
eu e as sombras mais sombrias...
mas não deixarei, jamais,
o coração ver a luz bruxuleante dos dias...
Deus limpar-me-á a merda da alma..
o papel higiénico, a merda do corpo!...
só eu decido o que me é mais útil!...
se as moradas dessas estranhas cúmplicidades,
se essa tão amada simplicidade fútil...
para quê tatuar a pele e a ferida longe?
para quê riscá-la de tão perto??
para quê dizer imensos nadas?
para quê falar do toque desejado,
se elas próprias as mãos,
são catedrais afastadas??...
por que é que os dias amanhecem e tanto me enganam?
hoje, odeio...
amanhâ, eu amo!...
sobretudo,
fascinam-me os incensos de algumas minúsculas recordações...
mas, prefiro manter as muralhas entre medos e fumos...
sobretudo,
até ao último minuto que lhes possa dar chama,
que os possa acender...
depois,
apago-me mais ou menos,
por assim dizer;
bebo-lhes as entranhas,
mas será que são elas interiores que me irão beber??
agora digo-te uma qualquer coisa simples,
algo extraordinário:
- tens tanto medo que ela me encontre!...
mas ELA tem tanto da minha procura como a proximidade do teu nome...
extraordinário, não é?
o sonho incita-me a descobri-la um destes dias...
talvez,
só hoje,
sem os pés,
sem unhas,
talvez quisesses ter vontade de pintar todo o teu corpo apenas desta cor...
tu sabes...
só tu sabes os cemitérios
onde brincas os corações!!...





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