descobri que tenho um amor de vidro transparente...
não pintei esse vidro de fosco,
de sombra fumada a tempo.
nada posso fazer sem me veres...
todos os amores que conheço,
só se conseguem ver de dentro para fora...
mas fui eu errando, que te quis oferecer este que se vê de fora para tanto, para tudo o que me é dentro...
a última coisa que eu sei, são gritos e fechar os últimos olhos de todas as janelas que não tenho, e nem sei...
posso querer que o meu coração caia aos teus pés para sempre, e penso sempre que algo nos morre logo depois...
dei-te todo o direito de o reclamares quando tudo é escuro e um qualquer beijo teu me pudesse salvar deste nosso impossível sempre...
só eu e tu somos tamanhos impossíveis...
hoje,
por uma coisa inexplicável,
os teus pés estavam lindos dentro do dia cheio de luz...
e só eles hoje me apagaram sombras no instante que quis ficar de fora...
há dias que sei que só eu e tu, nos sabemos amar... que só tu e eu, ficamos sem vidros transparentes,
nem foras...
só nós os dois por dentro d nós...
deixa-me olhar-te de longe, para que tu e tudo fique mais perto...
eu acho que sei, que um dia seremos sem vidros,
nem espelhos,
só nós e a mesma imagem...
só nós...
eu acho que sei!...

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