segunda-feira, 17 de setembro de 2012

ele...

 
conheço-te a claridade lívida do sorriso,
e a floração esmagada do orvalho,
e mesmo assim,
perco-te o lentíssimo rasto...
por ele,
despenha-se-me a lucidez,
parte-se-me o tremendo cansaço das noites...
no fundo dele, o teu rosto...
a óbvia lua dormitando no interior das palavras de um coração em viagem, demoradamente surdo...
pela primeira vez,
a boca desce-me à luz dos joelhos,
e ao redor de ti... ajoelho-me...
é esta desolação do próprio gesto e a sucessão de encharcar-me de sangue,
ter paciência,
e ensanguentar-me de uma solidão suspensa...
ele invade-te com olhos de cedro, e " o vazio foi sempre a minha preocupação essencial; e estou seguro de que, no coração do vazio, há fogos que queimam. "
eu mantenho-me na morte, não ludibrio o ciúme, e reaprendo a eternidade...
a tua alma vai até onde ele quiser...
ele apressa-se a nada,
e tu ofereces-lhe o silêncio de um corpo lento...
só me posso revelar em sonâmbulas e lentas respirações das paisagens... insónias húmidas,
que só por mim te imaginam...
ele,
ordena-te pedidos indecifráveis...
e no entanto,
eu sei que se conseguir escrever um verso todas as noites,
um verso que seja,
será o suficiente para adiar o preto infinito da morte...
ele será,
o insuficiente para breviar o branco finito da vida...
só eu sei, que em mim,
no agora ausente dos dias,
respira a cintilação de cada um dos teus cabelos... assustadoramente,
em tudo o que escrevi...





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