she - photo by joão nuno cruz
se eu fosse capaz de lavar os ventos
e andar os dias de todas as chuvas
e estar pronto sem nada esperar,
talvez pudesse ter medo das minhas nuvens,
estender as mãos e cicatrizar expressões e só querer
que as feridas surgissem depois...
só eu me imaginei longe desta nítida cremação e
distante desta iluminura como parede em abandono e dar
à luz todas as espessuras sem nenhuma paixão,
perceber a mordedura dos beijos...
surpreender é o sofrimento das monções e manchar as memórias
inocentes na única dificuldade de expressar que nos serão tão fatais...
nunca amanheci o desencontro diluído, este meu lado de noites carnívoras...
nunca pensei que conseguisse ser tão triste...
o silêncio amputar-me-á o esquecimento cúmplice à deriva,
desde a mentira inverosímel da memória à verdade absoluta do medo...
e nas escadarias sumptuosas da minha morte,
lançarem sobre mim todas essas notas musicais...
e depois,
depois que um pouco mais que a tristeza,
essas flores de tão extraordinários funerais...
" a tristeza de estar sozinho dentro de um quarto, no adiantado da hora,
não é a solidão em si, é o desespero das sombras que não se mexem... "
marcelo soriano
" é em meus silêncios que as palavras se libertam da gaiola que sou "
marcelo soriano

Gostei bem mais do texto completo!
ResponderEliminarApenas uma rectificação: www.jncruz.com