photo by: bruno sequeira
riscar... riscar... riscar...
sem nada dizer...
é uma qualquer espécie de silêncio...
não é ter medo, não é ter razão nem método...
custa-me o glaciar da pele e o gelo sobreaquecido da ferida que não me cura...
venho dos fiordes estranhos das avalanches sobre biombos e sorrisos...
depois,
as montanhas mágicas e caminhos de tantos impossíveis...
guardo o olhar... guardo espaço por espaço e o retorno devagar quando fecho os mesmos olhos de todas as ruas onde me quero ficar... guardo...
guardo quase sempre as lágrimas no meu lugar permanente,
onde sem opções,
resistem em locais de cinzas que sempre souberam ficar...
só eu me lembraria de ferir a outra parte do meu não corpo...
amo-te demasiadamente fácil em conversas curtas que formam línguas e marés...
amo-te demasiadamente...
que é o mesmíssimo dizer: tão poucamente difícil!...
que oceano longo de tanto te guardar...
desato-te... desprendo-te... desamo-te...
afundo-me... naufrago-me... amo-te!...
agendar todas as águas e as caravelas de todas as flores em precipícios, e escutar no som da noite, voláteis silêncios das corujas como palavras em forma de sono e cascatas e ternuras...
as rochas destas falésias, têm a mesma dimensão deste curso de água em que te amo às mesmas proporções de todas as suas alturas...
vulcânico e estranho pranto...
só a minha lágrima e o nosso mar
se demoram tanto!...
vulcânico e estranho pranto...
só a minha lágrima e o nosso mar
se demoram tanto!...

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