photo by: joão nuno cruz
por vezes,
partiria para o abandono do coração,
onde pudessem germinar todos os cristais de um apenas azul...
masturbo-te,
à procura da tua lua artificial
que muda entre cada escuridão,
entre cada suspensão do mundo...
que muda entre
cada contemplar de uma nocturna solidão...
a noite ergue-se como um pano oculto
que espalhas pelo chão...
faz chover obsessivamente o lilás,
a lágrima
e a água repetida da boca onde não sei o longe
e me falha o suicídio das tempestades...
deito-me nas cinzas invisíveis por engano,
e enquanto sonho,
percorre-me a fabulosa paisagem do teu corpo,
a abelha e o mel...
a imagem que sempre serás
num dilúvio de sangue...
e mesmo à beira da superfície dos vulcões,
o teu sorriso explode uma espécie de frescura,
entre lavas e algodões...
e depois,
quando me deito púrpuro,
encharcas-me o alumínio dos dias sucessivos...
sem memórias de nomes artificiais...
sangra-me o terror lentamente das palavras todas
que só eu te quero visitar...
já não sei dizer cintilantes: penso-te!...
já não sei falar delicados: amo-te!!...
mas ainda sei a seda...
ainda sei a flor...
ainda sei a pétala... o pólen...
o último jardim...
amar?
amar já não sei...
amar?
amar já não sei...
mas ainda sei chorar...

Fantástica a forma como se conjugam!
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