" na penumbra do quarto ouvem-se as vozes dos mortos, e dos corpos que se amam.
mas é inútil lembrares-te dos rostos que tinham ou têm - porque a noite desceu voraz, pesada, eterna, sobre a tua ausência.
noite dentro, os corpos, embriagados, vão falando de amor.
e do tempo, a ausência, cada vez mais devagar.
olha como já se acende a lívida madrugada...
e o orvalho pousa no teu ombro, onde bebo a escuridão do dia.
beber, protege o corpo das emboscadas. e a alma das balas perdidas.
amanhã, ou enquanto dormes - agora mesmo -, vou pensar em ti. intensamente: até que as horas me doam sobre a pele, até que tudo o que me rodeia tome a forma do teu corpo.
e em mim circules - quando estendo a mão por dentro da noite e te acordo, no fogo dos meus olhos."
al berto

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